Museu da Paisagem

E se os museus não precisassem de paredes?

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Foto: Museu da Paisagem

O Museu da Paisagem, exclusivamente online, é um ensaio sobre a possibilidade de um museu sem paredes, distribuído no éter da informação. Pelo seu objeto—a paisagem—, pelas coleções que começa a reunir, pelas atividades que propõe, e ainda pelos serviços que presta, esta é uma experiência heurística relevante no caminho que os museus virtuais online têm vindo a percorrer desde finais do século passado. Afinal, até mesmo os museus convencionais precisam, cada vez mais, de uma extensão digital que os torne mais dinâmicos, acessíveis e legíveis. Vale a pena visitar este museu!

ACP

O MdP, enquanto plataforma participativa e geradora de conhecimento, representações e diálogos sobre a paisagem, cria importantes desafios do ponto de vista curatorial. Pretende-se que este museu digital possibilite um aprofundamento do conhecimento, das perceções e dos afetos relacionados com a paisagem, através de uma conceção cuidadosa do modo como os seus elementos são mostrados, da representação de diferentes temas e experiências dos lugares e das condições subjacentes à interação do público com a plataforma.

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A paisagem resulta de um sistema vivo que se transforma em permanência, cujo registo, leitura e interpretação nunca se esgotam. O Museu da Paisagem é, por isso, um projeto em permanente construção. Este processo contínuo tem contado, desde o início em maio de 2015, com a participação de uma vasta equipa de investigadores, especialistas, colaboradores e amigos.

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O antropoceno, a conceção de uma nova era geológica determinada pelos efeitos dos desenvolvimentos tecnocientíficos e pela ação humana em geral na Terra, popularizada pelo químico holandês Paul Crutzen, laureado com o Prémio Nobel de Química em 1995, equipara a humanidade a uma força de mutação profunda e imprevisível do ambiente. Sendo alvo de intenso debate e variações, o antropoceno elabora uma noção de ambiente definida pela sua condição tecnológica, instabilizando dualismos clássicos do conhecimento, nomeadamente o de natureza versus cultura. Guiados pela conceção de antropoceno, a paisagem desdobra-se em múltiplas camadas de ação humana, algumas abruptamente inscritas no território e, outras atravessando-o de modo fluído e disseminado. Assim, desde a transformação massiva da paisagem na Pedreira Cabeça Gorda, passando pelo incessante vaivém da autoestrada A1 ou do terminal de cruzeiros lisboeta, ao jardim que esconde o antigo aterro sanitário da Boba e ao massivo armazenamento de informação no Data Center da Covilhã, navegamos em paisagens que se expandem muito além dos lugares que atravessam.

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Podemos ler a paisagem continuamente, mas, mesmo quando deambulamos, de quando em quando, há que parar, observar, sentir e decidir por onde seguir caminho. Neste mapa apresentamos uma série de pontos e linhas de observação, que recomendamos para uma reflexão e interação com a paisagem.

MAPA https://museudapaisagem.pt/pontos/mapa/

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Desde abril de 2019, o Museu da Paisagem constitui-se como associação científica e cultural sem fins lucrativos, com sede na Escola Superior de Comunicação Social do Politécnico de Lisboa.

—in Museu da Paisagem
https://museudapaisagem.pt/

 

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