Marcio Vilela


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MARCIO VILELA. Estudo Cromático Para o Azul. Still #1 (ponto de ruptura a 38.000m)

Revisitar Ives Klein

“Estudo Cromático Para o Azul” (2015-), de Marcio Vilela, para além de ser uma colaboração feliz entre o olhar de um artista e o conhecmento científico e tecnológico disponível, não deixa de ser, na leitura que faço desta obra paisagística, uma homenagem a Yves Klein. A eleição do azul, frequência da luz visível que assinala a existência de vida no grande vazio universal, recorda a célebre obra de Klein “Proposte Monocrome, Epoca Blu”, apresentada em janeiro de 1957 na Galeria Apollinaire, em Milão, e ainda o lançamento de 1001 balões azuis por ocasião da apresentação desta mesma exposição em Paris, na Galeria Iris Crert, em maio de 1957. O balão meteorológico encarregado de fotografar o azul a diversas altitudes—do Km 0 até à camada superior da estratosfera— é comparável ao “Saut dans le vide” (1960), uma fotomontagem de Yves Klein realizada em 1960 sobre a poderosa atração do vazio, nomeadamente como metáfora do desconhecido. Tal como os 1001 balões lançados por Klein em 1957, o balão de Marcio Vilela subiu no ar até explodir e acabar por cair na Terra.

Tal como Sísifo, também o salto no vazio de Klein, e os seus 1001 balões azuis, ou o voo exploratório preparado por Marcio Vilela, estão destinados a um mesmo destino trágico: regressar à estaca zero, e começar uma vez mais a subida íngreme da montanha epistemológica.

Há, porém, uma diferença entre Klein e Vilela: o artista francês não esperava ilações conceptuais dos seus saltos no vazio, ou do seu azul proprietário (IKB), pois a metodologia performativa destas obras, ou melhor dito, do essencial da sua obra, tem origem na meditação Zen, isto é, na experiência corporal e neuronal da própria viagem ao desconhecido, a qual é pautada pelo desejo de uma luz filosófica mais rica do que a luz da Física. Por esta razão, a obra koanica de Klein desestabiliza a certeza do quotidiano, incluindo o quotidiano cultural e artístico das cidades, mergulhando o espetador num mar de paradoxos capaz de ativar milhões de sensores adormecidos.

A abordagem de Marcio Vilela, para já, parece procurar o deleite estético na apreciação intelectual de uma investigação e demonstração artísticas. Resta saber se é suficiente como prova de arte.

António Cerveira Pinto


MARCIO VILELA

Estudo Cromático Para o Azul – Primeiro lançamento de um balão meteorológico para a estratosfera

Este projecto tem como ponto de partida o estudo dos possíveis tons da cor do céu quando observado em altitudes compreendidas entre os 0m e os 33.000m em relação ao nível do mar. Imaginemos que nos encontramos numa planície ao nível do mar num dia sem nuvens, olhamos para cima e vemos o céu, com o seu tom azul característico. Agora imaginemos que estamos na mesma planície, mas dentro de um balão de gás hélio com capacidade de ascensão de 38.000m. A medida que o balão ganha altitude a atmosfera torna-se rarefeita, a diminuição na concentração de moléculas da atmosfera tem efeito directo no espectro visível da luz, fazendo com que o azul fique mais escuro a medida que estamos a subir. Quando chegamos finalmente aos 38.000m olhamos novamente para cima, agora o céu azul agora é negro… Entre os 0m e os 38.000m existem infinitos tons de azul possíveis, é este o ponto de partida desta pesquisa, o registo dos tons de azul existentes nestes intervalos de altitudes. Mais sobre este Projeto

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MARCIO VILELA. Estudo Cromático Para o Azul. Local do impacto.

 

 

Márcio Vilela nasceu em 1978 na cidade do Recife, no Brasil. Vive e trabalha em Lisboa.

Sítio oficial

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